Demoras a chegar, pé ante pé, como quem não quer nada. Espero que venhas sorrindo. Que me abraces e me apertes num beijo demorado, um abraço teu chega sempre a horas. Não te sei o nome, que te chamas Anjo isso é certo, tão certo como eu ser tua. Já te conheço tantos detalhes e nunca te vi. Acordei durante a noite pensando que, até em meus pensamentos, és mais do que isso. Não te toco; és nuvem mágica que paira sobre mim. Figura tão segura de si, crente de todas as qualidades e defeitos, libertadora imagem de todos os problemas. És tão errado como certo. Falta-me o ar quando me faltas e falta-me ainda mais quando te tenho. Já te conheço tantos detalhes. Procuro-te como um dependente insaciável, como se não houvesse mais nada no mundo para além de ti. E nem tu existes. A curva dos teus ombros, os teus braços infalíveis, a doçura do teu sorriso. Já te conheço tantos detalhes. Os teus olhos insensíveis, a tua expressão arrogante. És tão contraditório que me preenches todas as lacunas. És tão errado como certo. E eu não sei o que sou, julgo ser apenas um vislumbre na tua realidade, meu universo paralelo. Se não me existe como poderei eu existir-te? És uma tentação assustadora, porque raio te tenho eu tanto medo?  Na vida temos que aprender a nunca nos afastarmos de nós para nos aproximarmos de alguém.
Mas eu já gosto de ti.
Não sei a mulher que sou mas sei bem a mulher que não sou. Chega de pragmatismos, práticas de eloquência e bem-dizeres. Ambos sabemos o que vales, eu mais que tu por não ter o filtro que é o teu ego no meu olhar. Chega-te para lá, já que nada chegas a valer. Vestes as palavras mas és mau de língua. Pior ainda, és terrivelmente mau de carácter. De que te serve ter 26 letras na boca pintadas de cor mágica se a verdadeira magia é aquela sobre a qual não lhe descobrimos os truques? E eu já descobri os teus.

Anda, denuncia-te aos sete ventos e cai desse teu pedestal. Já não ganhas nada em ludibriar os sentidos alheios e pior ainda, em enganar-te a ti próprio. 

A verdade está sempre a olhar para nós, à espera do tropeção, ansiando pelo momento em que caímos de boca, em que ficamos em merda, para nos atirar à cara tudo aquilo que não quiséramos ver. Tu não vês aquilo em que te meteste? Será que não reparas na hipocrisia em que vives, nos falsos sermões, nas ilações desesperadas de palavras treinadas? 

Eu sei que tens treinado. Tudo o que consegues dizer são frases alheias à situações, aprendizes de manias, sabendo exactamente com que entoação são ditas no momento da discórdia. É. Tenho que admitir que soubeste treiná-las bem. Recebe agora o conselho de uma parva, cujas palavras são soltas e por vezes sem nexo frásico. Tão nuas de figuras de estilo quanto de magia. Nunca as treinei. Nunca quis fazer mais do que sou, nunca as decorei, nunca soube o sabor de ludibriar alguém com 26 coisas tão pequenas. Nem me dou ao trabalho. Só te aconselho a que descubras o homem que não queres ser. Já que o homem que queres ser, tu não o és.

Há quanto tempo não me arde o coração?

Às vezes tenho saudades. De me rir com pensamentos, de sentir o teu sorriso durante o beijo, as tuas mãos em mim. De acordar a meio da noite com vontade de olhar no fundo dos teus olhos, enquanto sei que estás a dormir longe de mim. Era por isso que te queria tanto. Às vezes tenho saudades. De quando os insultos não passavam de meras palavras só nossas, que só nós sabíamos o seu significado. De quando contávamos os minutos e os dias para termos um beijo. De quando as borboletas invadiam o meu coração só de pensar que eras meu. E quão meu tu eras. Há muito tempo que não me arde o coração... Está em cinzas.

Da esperança de amar.

Obviamente que todas as histórias até hoje contadas não passaram de meros boatos ridiculamente associados a nós. Quem, por ventura, poderia afirmar, afinal, que éramos feitos um para o outro? Semelhanças talvez? Mas nunca uma equidade tal que fôssemos a nossa metade da laranja. Quando gostamos de alguém, independentemente da pessoa em questão, quem muda e se molda somos nós. Já repararam em todas vezes que estivemos apaixonados? Já repararam como agiam de forma diferente em cada uma dessas vezes? Não nos julguemos, cada amor é um amor e deve ser vivido de forma intensa e única. A parte mais engraçada é quando nos desapaixonamos e vemos que, afinal, não éramos aquela pessoa. Que fazia o impensável em estados sãos.  A culpa realmente não existe porque os erros não existem no que toca ao amor. Se há coisa mais limpa e inocente no mundo, livre de maldades e más intenções é o amor, e por isso, ninguém é culpado de nada. Nem de amar sem ser amado, nem de ser amado sem amar. Muito menos de amar em tempos errados e, principalmente, de amar em quantidades erradas. Desengane-se quem pensa que não deveria ter amado determinada pessoa, se o pensa é porque não sabe o que é amar. Ou ser amado. Porque amor não se nega a ninguém e todos nós amamos, em pequenas quantidades ou grandes quantidades. Amamos uma gota de água ou amamos um oceano. Cabe-nos a nós decidir. Principalmente decidir se preferimos amar-nos a nós próprios acima de todos os outros. 


Passemos ao que interessa. Eu cheguei a esse estado. Descobri que te amo, que te amei. Descobri que amo todas as pessoas que passaram pela minha vida. Descobri que ainda amo o tal ex de quem tu tinhas tantos ciúmes e descobri que amo aquele amigo com quem tu tanto implicavas. Descobri que amo todos os momentos. Descobri que continuo a amar todas as minhas memórias, todas as nossas memórias. 

Descobri que me amo. Mais que a ti. Mais que tu alguma vez amaste. Amo-me de uma tal maneira que não me permitirei, nunca, esquecer-me. Por amor nenhum.

Afinal a minha metade da laranja não és tu. Nunca foste. 

Sou eu.

"Nunca voltes ao lugar
Onde já foste feliz
Por muito que o coração diga
Não faças o que ele diz
Nunca mais voltes à casa
Onde ardeste de paixão
Só encontrarás erva rasa
Por entre as lajes do chão
Nada do que por lá vires
Será como no passado
Não queiras reacender
Um lume já apagado
São as regras da sensatez
Vais sair a dizer que desta é de vez
Por grande a tentação
Que te crie a saudade
Não mates a recordação
Que lembra a felicidade
Nunca voltes ao lugar
Onde o arco-íris se pôs
Só encontrarás a cinza
Que dá na garganta nós
São as regras da sensatez
Vais sair a dizer que desta é de vez."
Não há nada mais bonito na vida do que apaixonarmo-nos por nós próprios. Aí sim, sentimo-nos em pleno, como ninguém nunca nos irá sentir. Como tu nunca me sentiste. Por ti fui sempre metade, agora sinto-me mais que inteira.
Nós sabemos que estamos cansados de lutar quando perdemos as forças. Tentamos chegar um passo adiante mas as pernas não nos obedecem. O que não falta é vontade, o que nos falta são as forças. E não há nada mais triste que isso. Custa saber que poderíamos chegar mais longe, ter-nos mais tempo ficarmos um pouco mais. Ter-te-ia mais tempo, se pudéssemos tê-lo. Já não há tempo para nós, e forças muito menos.
Se eu soubesse que irias virar-me as costas nesta altura da minha vida, já teria ido há muito embora. Não falemos em desilusão: nunca esperei nada mais que indiferença. A questão aqui é mesmo essa. Eu também sei pagar na mesma moeda...
Acordei sobressaltada hoje. Só me passam duas coisas pela cabeça. A primeira és tu. A segunda sou eu. Porque teimas em fugir de nós quando sabes que nos amamos?
Já te disse inúmeras palavras. Muitas delas mentira, é certo, e certo será também dizer que de verdade foram quase todas. O que realmente importa aqui é o que vai dentro de mim. Não existe dialecto algum que o espelhe: será erróneo da minha parte tentar sequer. Isto porque acabo sempre por fazer o contrário. Também já te disse que despertas em mim o meu lado maternal, e, por isso, é-me difícil ver-te como algo que não me concerne e trato-te de maneira a seres perfeito, coisa que, felizmente, não és. Leva-me a sério, agora. Lembras-te de tudo o que te disse até hoje?  Então lembra-te por favor que só quero o teu bem. Só isso.
Tens sido a melhor parte de mim. De erros que tenho cometido, és, definitivamente, o mais acertado. Trouxeste à tona sentimentos desconhecidos que transcendem o amor. É uma adoração infindável, com desenvolvimentos agrestes. É. Passámos de meros desconhecidos a perfeitamente perfeitos um para o outro num ano. E num ano, tenho só a agradecer-te. Descobri que duas pessoas comunicam apenas com olhares, que os corpos são mais que isso: corpos. E que nós encaixamos um no outro como um puzzle. Fazes-me também entender que existem almas gémeas. Um diamante em bruto em que talhei todos os detalhes que pretendia para a minha vida e assim apareceste na minha vida, vindo do nada, sem ir para o nada, porque agora dou-te o meu tudo. És tudo. Afectas-me de uma maneira indescritível, afogas-me, tiras-me o ar só com palavras, e dás-me aquele sorriso que salva o meu dia. Já te disse milhares de vezes que não sei o que vi em ti e de todas elas respondeste: "o que não há em ti". Pois digo-te que é a coisa mais certa que alguma vez me disseste. Orgulho-me de ter feito parte da tua vida e orgulho-me mais ainda de continuar a fazê-lo. Seja de que forma for. E assim  deixo bem claro que quero continuar a ajudar-te com todas as minhas forças, tu merece-lo.
Uma vez li algures que o amor nunca morre. Muda de forma, de nome, de descrição, mas continua a ser amor. Eu amo-te de uma forma sem nome, não é esta a forma de o dizer, mas é o que me apetece dizer e tu sabes que eu digo só o que me apetece, recuso-me a ficar com tudo cá dentro. Só te peço que não me descartes, porque, apesar de não sermos um casal, temos uma relação melhor do que muitos namorados por aí. Porque discutimos e provocamo-nos, mas, no fundo, existe mais para além disso. Não nos esquecemos um do outro. É o tal puzzle.
Inquebrável. Como eu gosto de ti... Do que construímos. Sem palavras.

Até já,ls.
De todas as formas que existem de sentirmos saudades, a saudade calada é a mais dolorosa. Quem me dera que te lembrasses de mim.
Tu sabes o sentimento. É como voltar a uma casa onde já moraste: conheces todos os cantos, todas as divisões. Sabes andar de olhos fechados e confias de que não cais. Só a decoração está diferente. Porém, reconheces que já não moras lá, que outras pessoas já lá viveram e agora também sabem onde ficam todas as portas e janelas, possivelmente até onde era o teu esconderijo. Deixaram a casa em mau estado, está usada. Isso nota-se.
Eu não me importei de lá voltar, ainda é uma casa acolhedora, aconchegante, tem muita claridade e proporciona um sossego à alma difícil de explicar. Gostei de lembrar tudo o que lá vivi, de fugir, de ser encontrada. De correr e tu me apanhares, das gargalhadas. Lembrei-me do que chorei, de pensar que iria viver ali para sempre. Gostei ainda mais de saber que foram os melhores tempos da minha vida, que, apesar de ser só uma casa, era o meu palácio.
Tu sabes o sentimento. Sentiste-o também. Lembrámos tudo o que se passou. Gostaste de viver dentro de mim, só uns momentos, novamente. Fomos nós os dois outra vez, sem problemas, sem barreiras nem discussões. Fomos nós, novamente, com tudo o que tínhamos para dar e voltámos a dar. Eu gostei imenso de voltar àquela casa. E um dia, quando já estiver em ruínas, voltarei novamente... Uma casa que nunca morrerá para mim...

Os teus braços. O teu coração.
Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, daqui a uns tempos, bem, quem sabe? O verão está aí, haverá sol quase todos os dias, o calor vai alegrar tudo, parques verdes, piscinas azuis, praias cheias de gente, e sempre resta essa coisa chamada 'impulso vital'. Pois esse impulso às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, faz-te esquecer o que sentes mas nunca o que sentiste, empurrar-te-á quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento, de um olhar ou sorriso, surpreender-te-ás pensando algo assim como 'estou contente outra vez'.