quarta-feira, 16 de Abril de 2014

Cheguei ao fim, desisto, não consigo mais. Perdi todas as forças, quiçá, a força que nos uniu um dia. Quem sabe se, lá no futuro, tu não voltas. E mostras que me queres, que me desejas, como eu te tenho mostrado? Quanto a mim sei que me mantenho no meu canto, sozinha e sossegada, vendo os outros passar, conhecendo novos sorrisos, mantendo-me a uma distância segura que não me permita sofrer. Tu? Tu segue-la feliz, a vida. E só desejo que assim continues, tu, que és tão novo e tens tanto pela frente.

Muito boa sorte.

segunda-feira, 14 de Abril de 2014


É engraçado como há químicas que nunca acabam. Gosto de transformar todo o desejo em carinho, guardar sempre um lugar no meu coração para quem me fez tão bem.

domingo, 13 de Abril de 2014


Como gosto de estar aqui. Como gostaria de ter partilhado mais vezes a cama contigo. Só assim, juntos, na mesma cama, a ouvir a mesma respiração. A respirar a mesma respiração. E bastava isso para me fazer feliz. Adormecer a ouvir-te respi...rar, acordar a ouvir-te respirar. E tudo fazia sentido. Bastaria isso para tudo fazer sentido.
pcf.

Como te amo.

sábado, 12 de Abril de 2014

Das palavras de que não te digo...

Tenho muita coisa guardada para ti. A maioria são acções, eu, que sempre me orgulhei por passar por cima das tuas contradições, guardo-te vinganças. Não vinganças minhas, não. Pagarás de forma pesarosa o resto da tua vida. E não farei nada para que sofras, quem seria eu afinal, para fazer algo contra ti? Tu que me és mais que palavras, mais que actos. És-me mais que sangue. E eu sou-te mais que carne. Sou a tua consciência pesada, o teu diário, os teus segredos e medos. Eu sou-te pecados e dor. Sou-te o arrependimento maior que se pode sentir. Sou-te o orgulho ferido e os erros cometidos. Sou-te tu, em mim. Mas eu não te quero a mim. Não, tu foge. Foge enquanto é tempo, já deverias ter fugido ao tempo. O tempo que passa, sem fugir, andando, só, entre nós, sem nós, connosco num tempo perdido, sem ele. Ele é ele. Nunca nos seguiu, sempre nos separou e por ele nos separar tanto é que estaremos para sempre ligadas, por ele. O amor. Pena que não o quero, não nos quero, não te quero. És-me tanto que passas a ser nada. E como te disse, guardo-te acções. Guardo-te sucessos e futuros, guardo-te uma vida que poderias ter tido comigo, guardo-te vitórias. Guardo-te também rancor. Sempre fui rancorosa, de todos os defeitos que poderia ter, este é o que te magoa mais. E não veio de ti. E as palavras? As palavras são ecos, pequenos reflexos do que sinto, do que sinto há 20 anos, do que vivo e vou vivendo, cada vez aprendendo mais, cada vez tendo mais a noção de que somos para quem temos que ser. A vida e tu, ensinaram-me ambas a ver quem me faz bem, sim. Mas ensinaram-me ainda melhor a ver quem me faz mal.
É a primeira vez que te escrevo. Olho-te mas não te vejo, falas mas não te oiço. Eu falo-te. Mas não te digo. Deixo que fique a pairar entre nós.
Eu não te quero mais. A mágoa é demasiado grande para aguentar-te. É a primeira vez que te escrevo. É a última vez que te escrevo.

home

Disseram-me que a nossa casa é qualquer um lugar, seja uma mansão ou um colo, é onde somos nós e nos somos.
Se todos os beijos fossem tão lânguidos como os nossos, cujos abraços permanecem fortes e sem se desmoronar, se todos dissessem palavras tão cheias quanto as nossas, saberiam.
E saberiam também que não é por contrapartidas que a química corporal se vai. Nada se vai, a maneira como suspiras no meu ouvido, como gemes de prazer a cada olhar provocante, como me tocas, agarras e me tomas como tua. É isso, tu tomas-me como tua. Fundimo-nos cheios de mãos e braços, cheios de amor e desejo e isso mais ninguém sabe descrever, tal como eu. És a casa. És a minha casa, só isso. E por seres a minha casa, vês-me como mais ninguém vê. Cada abraço quando abrimos os olhos para enfrentar mais um dia sabe-me a um mundo, és o meu mundo.
Afinal, que outro propósito poderá ter a vida senão o da oportunidade de acordar todas as manhãs contigo debaixo dos lençóis?

domingo, 6 de Abril de 2014

rf.

Pediste-me para te escrever. Pediste que colocasse em palavras tudo o que vai na minha cabeça, no meu coração. Eu ter-te-ia dito que não consigo sequer escrever tudo o que sinto, mas por incrível que pareça, até as palavras me faltaram para te dizer tal coisa. Perdoa-me, perdoa-lhes. Elas não são como quero, eu não faço o que quero, eu nunca fui o que quero. Digo-te sim, para me entenderes. As minhas preocupações. Preocupa-me o facto de não tentares sequer entender-me. O que afinal se passa é o tempo. Tudo junto. Não me entrego a quem não tem coração para mim, ou sequer, um bocadinho de espaço lá. Eu sou grande, o meu afecto grande é, e não me consigo contentar com apenas um bocadinho de momentos quentes, de destrezas físicas e desejos curáveis. Eu desejo sempre: se não for um desejo efémero, deixa de ser desejo. Passa a ser só uma vontade. Nunca me contentei com vontades: farto-me depressa demais e a consciência cai em mim como se de um peso morto se tratasse. É por isso que te digo que mereço mais do que tu tens para me dar. Não gosto de acertar em incertezas, és como uma casa escura, sem luz, não sei onde são as portas para o caso de querer fugir. És um carcereiro. Também me é impossível controlar os sentimentos. Estou preenchida por um outro alguém, pode ser errado, aliás, eu sei que é errado. E mais errado ainda é sabê-lo. Mas o que hei-de eu fazer? Sempre tive uma queda para o impossível, prefiro lutar do que lutem por mim, não tem o mesmo sabor, nunca tem o mesmo sabor. Eu gosto de gostar dele, gosto de saber que é impossível e por sê-lo, concretizo-o a cada momento de desejo. É ele. E ele diz que pode ser para sempre. E se pode ser para sempre é desejo. É paixão. É amor.